Um poema longo sobre a infância, a família e o interior do Sul do Brasil, em que memória e linguagem se misturam num fluxo narrativo atravessado por oralidade e imagens em preto e branco. É um poema de retorno. Retorno à infância, à cidade pequena, às vozes antigas da cozinha das tias e das avós. É também uma volta à linguagem, à forma como ela se agarra às lembranças e tenta, muitas vezes pouco fiel, torná-las matéria. Interrompido por imagens que ambientam essas cenas torcidas da memória, o texto funciona como um nó, que recolhe as falas do entorno e as realoca no tempo do livro — único e, ainda assim, repetível.