Música e religião têm caminhos cruzados na história; assim, também, é impossível dissociar a música popular brasileira do celeiro religioso que nossa miscigenação e nosso sincretismo produzem. Enquanto no mundo o cristianismo regia os moldes musicais, no Brasil a cultura popular se incorporou a outras religiões. Apenas no século XIX o rosto da música popular brasileira começou a tomar forma. Enquanto tentava-se copiar a musica europeia, a cultura afro foi se instalando na veia musical brasileira. Um povo escravizado, que mal tinha direito algum, era permitido a concretizar rituais religiosos, ainda que a prática cristã fosse a única oficialmente permitida; muitos aproveitavam esses pequenos momentos de calmaria para professar sua fé.
Neste trabalho, a intenção é analisar não só os aspectos religiosos da canção, mas também mapear os elementos históricos que contextualizam cada uma delas.